Um pouquinho de Erika Biscoitos na Amazônia


Data da Publicação:26/10/2010


  


Um pouquinho de Erika Biscoitos na Amazônia


Em viagem a aldeia Filadélfia, na cidade de Benjamin Constant, Elizabeth Prestel ensina Ticunas a produzirem biscoitos


No último mês de Setembro, Elizabeth Prestel, uma das sócias fundadoras da Erika Biscoitos e Confeitaria Alemã, realizou uma viagem para o estado do Amazonas, com o objetivo de ensinar voluntariamente mulheres indígenas da aldeia Filadélfia, de etinia Ticuna, a fazer biscoitos. A aldeia fica localizada na cidade de Benjamin Constant, que fica na divisa entre Brasil, Colômbia e Peru. É uma região pobre, com poucas oportunidades de geração de renda e baixas expectativas de melhoria de qualidade de vida.


Para participar das atividades, foram selecionadas mães de alunos de uma escola da região chamada Cuagü Pataü. Mantida por um missionário evangélico e de princípios bíblicos, a escola atende cerca de 250 crianças e fornece uma refeição aos alunos durante o período. Além disso, as mães precisariam estar interessadas em aprender e apresentar um possível potencial para dar continuidade ao trabalho.


Com isso, Elizabeth pretendia levar oportunidades a essas mulheres e ensinar uma atividade que elas pudessem desenvolver diariamente. Portanto, a idéia foi produzir algumas receitas adaptadas à realidade delas, usando ingredientes locais e utensílios disponíveis na região, e por isso, como instrumentos de trabalho, Elizabeth levou apenas consigo as receitas, sua touca de cabelo e uma pequena apostila que ela mesma elaborou, com as receitas e os temas abordados.


O intuito principal era ensinar apenas receitas mais simples e com potencial para venda, como por exemplo: Vanille, Aveia com Amêndoa, Amêndoa, Amanteigadinha, Canto, Bolo de Café e Palito de Queijo. Como queria adaptar à realidade delas, Elizabeth utilizou ingredientes fáceis de encontrar na região, como côco, amendoin, castanha do Pará (apesar de não ser época ainda, pois a safra só começa em Novembro), pupunha (que é o fruto de uma palmeira e muito encontrada por lá) e abacaxi. Ela conta que encontrou alguns desafios: “Algumas vezes precisei substituir alguns ingredientes e ajustar algumas receitas para o mundo delas. Substitui, por exemplo, queijo por pupunha, e todas adoraram, apesar de ficarem surpresas com essa alteração”.


Além da falta de alguns ingredientes, outros desafios encontrados por Elizabeth foram o clima e a falta de equipamentos . Devido a alta temperatura da região, o calor prejudicou o sucesso de algumas receitas, mas aos poucos Elizabeth foi também adaptando as receitas a esses fatores.


Sempre no início das aulas era feita a leitura de um versículo bíblico, seguido de uma oração. Durante o curso, Elizabeth também abordou itens relacionados à questão da persistência, perseverança, tipo de embalagem, cuidados para manter o produto sempre fresco e bem conservados e a higiene na manipulação dos alimentos, pois como os biscoitos seriam feitas para vender, a responsabilidade referente a essas questões é muito maior.


Ao final dos 12 dias de curso, foi realizada uma festa de confraternização, em que as alunas convidaram seus familiares e apresentaram a eles algumas receitas aprendidas. Todas receberam também um certificado, e das 46 alunas que iniciaram o curso, 25 tiveram mais de 70% de presença e, dessas, 5 alunas tiveram 100% de presença. Muitas se sentiram animadas a dar continuidade ao trabalho e para motivá-las a iniciar a produção e a venda dos biscoitos, um forno foi colocado à disposição das Ticunas e um comerciante local disponibilizou um espaço para que os produtos produzidos por elas pudessem ser comercializados.


“Foi um trabalho muito gratificante. Ensinei e aprendi muito com elas, é uma realidade totalmente diferente da que nós estamos acostumados a ver. É realmente um outro Brasil.  As limitações são muito maiores e os desafios surgem a toda hora. Fiquei muito feliz de poder transmitir meus conhecimentos para essas mulheres e de conseguir adaptar as receitas a realidade que elas se encontram”, finaliza Elizabeth.


Alunas


As alunas



Elizabeth Prestel ensinando as alunas


 



Aluna mexendo a massa


 



Massa que derreteu e não deu certo por causa do calor


 


Loja: Rua Professor Milton Carneiro, 37 Pilarzinho - Curitiba - PR (41) 3584-1136
Seg à Sexta, das 09h às 18h e sábados das 10h às 17h


Confeitaria: Rua Niccolo Paganini, 282, Jardim Schaffer - Bosque Alemão - Curitiba - PR (41) 3338-8385
Seg à Sexta, das 13h às 18h, Sábados e Domingos das 10h às 18h